CIMEIRA - EUROPA AFRICA

A cimeira Europa – África tem ocupado grande parte dos serviços de informação e tanto por talvez ter ocorrido durante a presidência portuguesa da União Europeia.

Ao que parece, o facto de se ter conseguido a presença da maior parte dos líderes africanos já foi um bom prenúncio para outras cimeiras que há-de por certo acontecer.
Não podemos esquecer que uma boa parte da liderança africana é representada por defensores e praticantes de regimes ditatoriais que em nada se podem comparar aos regimes europeus e muito boa gente pergunta porquê juntar à mesma mesa regimes tão antagónicos e porquê subsidiar estes países?

Na verdade estamos perante regimes que oprimem e matam o seu próprio povo não bastassem já as grandes carências que têm a fome e as doenças motivos do seu principal sofrimento.

Contudo não podemos esquecer que o que está em causa são pessoas como todos nós e são essas que é necessário ajudar mesmo perante a teimosia dos seus governantes. A estes é necessário mostrar que o desenvolvimento por que tanto ambicionam só é possível com regimes democráticos pois a única verdade é de que não há países desenvolvidos em regime de ditadura.

Julgo que este reconhecimento de alguns líderes africanos na cimeira Europa – África, sendo muito pouco é um começo de o virar de uma página que um dia inevitavelmente irá acontecer.

Pessoalmente acredito que o continente africano emergirá dentro de poucas décadas da escuridão que tem vivido para potência económica que pode muito bem ser.

É desumano que a espera traga consigo tantos mortos, pessoas e crianças em constante sofrimento.

Mas acreditemos que um dia será diferente. Até lá resta-nos mesmo é ajudar.

 

Antiguidades

Escrevo hoje sobre um projecto particular de um amigo que é conhecido de muitos que, talvez por amor ao passado, se dedicou a angariar os mais variados objectos, só comparável um museu de antiguidades.

Refiro-me precisamente ao Sr. Manuel Cardoso, enfermeiro de profissão, que ocupa boa parte da sua casa de habitação em Carrazeda com todo o género de utensílios e objectos que durante décadas ajudaram ao cultivo da terra e à sobrevivência de gerações.

Desde a maior dimensão de um lagar de azeite com mós de pedra, que expõe à vista de quem passa, até à candeia mais pequena, conta-se uma panóplia de outros objectos que nos faz olhar para o todo, muito para além de uma simples colecção particular.

Direi mesmo particular apenas no seu direito de propriedade porque todos os objectos que guarda, para além da utilidade que tiveram, valem hoje pelo significado e pela memória que muitos nos despertam, obrigando-nos inevitavelmente a regressar ao passado que muitas vezes esquecemos.

Em suma, todo aquele espólio é um pouco e em quantas situações não teria sido tudo para a criação dos nossos pais, avós e ainda para a de nós próprios.

Eu acredito que valorizar e respeitar o passado pode ajudar a encarar as dificuldades do presente e olhar o futuro de forma diferente pois ali vemos o quão difícil foi viver há mais de meio século atrás bem como o processo evolutivo da imaginação que a necessidade obrigava. É sem dúvida uma viagem ao passado a que muito poucos ficariam indiferentes.

É portanto uma iniciativa de uma pessoa particular que pela dimensão é de louvar não só pelo hobby mas pelo gosto que demonstra em manter vivos testemunhos de outros tempos.

Ao contrário, nenhuma autarquia do concelho nem a Câmara Municipal, que na minha opinião deveria ser a pioneira, tiveram esta iniciativa de forma a poder ser exposta publicamente.

É pena que nem todos dêem a importância que deveria ser dada ao passado para bem de todos.

 

Endividados

Ultimamente tem-se falado muito das dívidas das autarquias. Como coisa boa é algo a que nós por cá estamos pouco habituados, a nossa é uma das consta na lista das mais endividadas e que consequentemente sofrerá cortes nas transferências do Estado. Caso para dizer que um mal nunca vem só.

O endividamento se for sustentado, só por si não será problema por aí além só que demasiadamente excessivo como parece ser deve causar-nos alguma preocupação pois pode condicionar a médio e longo prazo investimentos de superior importância e até o aproveitamento de fundos comunitários.

O recurso a créditos a longo prazo como é uso é uma fuga para a frente que o efeito “bola de neve” se encarrega de engordar. Pior é quando a obra feita não justifica o dinheiro gasto desde logo pelo desfasamento em relação ao orçamentado e então aparecem as chamadas obras a mais, passando pelo custo de sustentação e manutenção até à utilidade pública que depois os cidadãos poderão tirar delas. Parece-me demasiado evidente que é investido demasiado dinheiro em obras de fachada e muito pouco ou até nenhum em projectos que nos poderiam trazer o tão ambicionado desenvolvimento, fixação de população e outras mais valias inerentes.

A democracia manda que a vontade do povo possa eleger qualquer cidadão no uso dos seus plenos direitos. Este é um valor indiscutível que temos mas que pode muito bem ser uma das razões para a má aplicação do dinheiro público porque a gestão e aplicação dos recursos financeiros deveria passar por uma gestão profissional que pudesse ser responsabilizada o que poderia pôr algum travão em muitos gastos e até a investimentos pouco adequados, pois os erros e asneiras até agora cometidos não se compadecem com os sacrifícios que nos tempos que correm nos são pedidos e que comprometem irremediavelmente o nosso e o futuro dos que nos sucederem.

Começar a casa pelo telhado nunca foi solução viável. Só o é para aqueles que, ou por teimosia, incompetência ou falta visão acreditam que do nevoeiro lhes apareça D. Sebastião. Quando assim é nunca teremos casa e alguém vai pagar a irresponsabilidade dos timoneiros que continuam a contrariar o outro Sócrates: “Só sei que nada sei”!

 

Politicamente sós

Debate-se por estes dias no parlamento o Orçamento de Estado para o próximo ano com especial enfoque no duelo, foi assim que muitos lhe chamaram, entre o 1º Ministro e Santana Lopes.

Como a mediatização está na moda os dias que anteciparam o debate foram mais preenchidos a tentar adivinhar que armas utilizaria um e outro de forma a perspectivar um vencedor antecipado do que a discutir o conteúdo do documento que vai interferir directamente com a vida dos portugueses no ano que se aproxima.

Contaram-se espingardas, esgrimiram-se argumentos, lavou-se roupa suja e pouco mais de interessante sobrou que interesse ao cidadão comum à excepção de uma meia dúzia de medidas que poderão ser de utilidade.
Julgo que os debates parlamentares de maior visibilidade como é caso deveriam ser uma oportunidade para os políticos transmitirem seriedade e confiança falando objectivamente dos nossos problemas e preocupações e em formas de resolução capazes de maneira a cativar os ouvidos e atenção dos cidadãos.

Infelizmente todas as forças politicas ocupam quase todo o tempo a parecer do que a ser. O politicamente agradável de forma a influenciar sondagens e estudos de opinião e consequente caça ao voto está muito acima da substância necessária e da verdadeira discussão que todos os portugueses gostariam de ouvir sobre os reais problemas que nos afligem.
Se os cidadãos são a indiscutível base de uma qualquer democracia pelo poder da sua participação o que acontece quando eles próprios se abstêm de usar tal direito e porque?

Acho que esta forma de tudo politizar e de constantemente se discutir o acessório e deixar para trás o essencial só ajuda ao crescimento do desinteresse dos cidadãos e a engrossar o número dos que não acreditam na classe politica. Daqui que a percentagem crescente da abstenção seja um sinal preocupante e um aviso à navegação mas que por enquanto não colhe qualquer eco de reflexão, tanto, que a democracia quando comemorada o é como se tudo estivesse bem.

A verdade é que não está!

 

Homens em "aperto".

Recentemente um Centro Comercial decidiu proporcionar lugares de estacionamento apenas para mulheres.
Nada de anormal não fossem as dimensões dos aparcamentos maiores que as restantes que em principio se destinarão aos homens!

Afinal qual o motivo da ideia? Gentileza ou descriminação positiva para com as mulheres ou anuência aos pedidos e sugestões colocados por estas nos cacifos que existem para o efeito?

O que é certo é que a ideia parece não lhes agradar por ser discriminatória pela negativa dizem, mas que muitas não deixarão de agradecer ainda que interiormente. Não mentirei se disser que a muitos homens também dariam jeito mas o identificativo feminino por perto afasta desde logo a ideia da ocupação.

A ideia é discutível e traz ao de cima as desigualdades entre homens e mulheres com os inerentes complexos de superioridade e inferioridade inerentes que as várias mentalidades se têm encarregado de alimentar.
A propósito sempre direi que por comparação a comemoração do Dia Internacional da Mulher pode também ser discriminatória pela negativa … mas deixemos o assunto para altura mais conveniente.

Complexos à parte, esta ideia trouxe-me de imediato à memória os estacionamentos na nossa Rua Luís de Camões e outros, consequência das recentes obras de requalificação porque todos nos queixamos do espaço exíguo dos aparcamentos. Estacionar um carro familiar não é para todos e os de maiores dimensões nem vale a pena tentar por mais tecnologia de ajuda que tenham. Os lugares são de facto pequenos e não creio que o arquitecto que os desenhou tivesse já em conta as consequências da nova fórmula da tributação automóvel que apesar não recair sobre as dimensões dos veículos incide sobre a maior ou menor emissão de CO2 com a devida proporcionalidade entre estes dois factores. Assim, ter um Mini poderá voltar a ser giro e um Smart é um esforço extra que nem todos podem suportar pelo que a solução será mesmo a de ir andando e fazendo cálculos até ao fim da rua.

Posto isto e transportando a ideia daquele Centro Comercial para a nossa terra acho que não haveria homem nenhum que ficasse ferido no seu orgulho por estacionar num aparcamento reservado a mulheres.

Seria justo!

 

Ricos Pobres

Num tempo em que se discute a Europa com tratados mais ou menos consensuais e em que a argumentação politica parece prevalecer sobre o que realmente nos interessa, falar de pobreza pode vir a calhar no sentido de que esta ferida da humanidade seja olhada de frente e de forma séria.

A pobreza e a fome não são novidade para ninguém e muito menos para os países ricos ou ditos desenvolvidos que sabem que ali ao lado, mais abaixo ou mais acima há pessoas que a todos os minutos morrem pelo simples facto de não terem que comer.

O acto de comer que para muitos de nós é tão banal pelo facto de o fazermos cada vez que nos apetece, para muitos não passa de uma miragem. Provavelmente enquanto o fazemos não nos lembramos dos que querendo comer não o têm mas que eles se lembrarão bem mais de quem tem fartura.

São inúmeros os actos de poder que os mais diversos países quase todos os dias nos mostram e apesar de culturas e raízes bem diferentes conseguem celebrar acordos como o que brevemente virá a chamar-se o tratado de Lisboa.
Ora a fome e a pobreza desde logo pela sua universalidade não levariam assim tanto tempo a ter solução.

Por não me parecer difícil acho que só mesmo o interesse em que haja pobreza e fome é que pode deixar morrer diariamente adultos e crianças não sendo muito diferente de um assassinato colectivo tantas vezes censurados pelos ricos embora de formas diferentes.

Enquanto uns dormem outros choram, enquanto uns comem outros agoniam, enquanto uns gastam dinheiro a tratar a obesidade outros morrem esqueléticos…

Quem disse que somos todos iguais?

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Tecnologicamente Admirados

De estatística em estatística, Portugal raras vezes ocupa posição privilegiada. Muitas das vezes é até ou o primeiro dos últimos ou quanto muito anda por lá perto.

Mas parece que em novas tecnologias disponíveis aos cidadãos parece ser o contrário, ocupando um honroso 3º lugar. Desconheço os avanços de outros países neste aspecto, mas nós já temos inúmeros serviços que cada um de nós pode executar on-line. Os serviços do Estado são os que sem dúvida mais podemos aproveitar por esta via o que nos confere mais comodidade e até alguma redução de custos dado que a partir da nossa casa podemos aceder uma série de serviços.

Só que para termos acesso a este tipo de serviço é como sabemos, necessário um computador e a respectiva ligação e de preferência à banda larga o que tudo somado ainda fica muito dispendioso para o cidadão comum. Para além disto é indispensável também a devida formação caso contrário de nada vale possuir os meios.

Olhando o nosso meio muito mais rural do que qualquer outro e onde estas novas tecnologias passam ao lado de muitos seria necessário um ou mais espaços com estes meios onde quem os não pode ter pudesse ter acesso e assim resolver alguma da burocracia com que diariamente é confrontado.

Por outro lado e já disso aqui falei, muitos cidadãos não conseguirão usufruir destas vantagens principalmente os mais idosos pelo que volto a dizer que neste aspecto as Juntas de Freguesia e até as associações locais poderão ter um papel importante no sentido de facilitar o tratamento dos mais variados assuntos principalmente aos mais idosos através deste meio.
Haja vontade porque meios parecem não faltar.

 

Muita Parra, pouca uva.

Eis que nos chega mais uma notícia com a promessa de dinheiro fresco para o nosso canto ou seja: estão anunciados 100 milhões de euros (vinte milhões de contos – moeda antiga) para a criação e desenvolvimento da região de turismo do Norte.

Estamos fartos de discutir o quanto somos e estamos abandonados pelo poder central. O queixume é por norma a nossa arma de arremesso que por ser o que é nem chega a assustar o mais medroso. Lamúrias são também o pão-nosso de cada dia, quais pobres residentes num canto norte dum país que se chama Portugal. Resignados a receber o que outros querem, quando querem e quanto querem. Mesmo assim não deixamos de ser agradecidos. Pagamos os impostos como qualquer lisboeta ou algarvio.

A notícia a que me refiro, ou melhor o significado prático do seu conteúdo seria e mais adiante direi porque aplico o tempo condicional, uma justa ainda que pequena recompensa pelas décadas de desprezo a que este nosso interior tem sido sujeito. Fartos estamos também de falar sobre tudo isto. Desenvolvimento é palavra já gasta no vocabulário transmontano.

O condicional é o tempo verbal que melhor se nos aplica porque apesar da esperança ser a ultima a morrer até já usamos pouco o futuro. É isso, condicionados pelo condicional qual miragem que um dia esperamos ver realizada. É que de tantas promessas ao longo de anos um transmontano já nem sorri com novidades destas. Olhamo-la como mais uma notícia ou uma atoarda em forma de embuste como tantas outras que de tempos a tempos são anunciadas e nem se sabe bem para quê porque somos cada vez menos e os votos ainda menos.

Somos assim levados pelos de cá e pelos de lá como um carro movido a promessas. Nada poluente.

Valha-nos ao menos isso!